Teoria: Classificação SUCS
Como o Sistema Unificado de Classificação dos Solos (SUCS) agrupa os solos pela granulometria e pela plasticidade, e como se lê a carta de plasticidade de Casagrande.
Um sistema para obras de terra
O SUCS foi proposto por Arthur Casagrande em 1942 para aeroportos militares e unificado em 1952 pelo U.S. Army Corps of Engineers e pelo Bureau of Reclamation. Hoje é padronizado pela ASTM D2487 e é a classificação mais usada em geotecnia, inclusive no Brasil.
Cada solo recebe um símbolo de duas letras: a primeira indica o tipo principal — G (pedregulho), S (areia), M (silte), C (argila), O (orgânico) — e a segunda uma característica — W (bem graduado), P (mal graduado), L (baixa compressibilidade) ou H (alta compressibilidade). Solos de transição recebem símbolo duplo, como SW-SM.
Solos grossos
Um solo é grosso quando mais da metade fica retida na peneira nº 200 (0,075 mm). É pedregulho se mais da metade da fração grossa fica retida na nº 4 (4,8 mm), e areia caso contrário. O segundo símbolo vem da quantidade de finos (F, % que passa na nº 200):
| Finos | Critério | Pedregulho | Areia |
|---|---|---|---|
| F < 5% | Cu ≥ 4 (pedr.) ou 6 (areia) e 1 ≤ Cc ≤ 3 | GW | SW |
| F < 5% | Não atende à graduação | GP | SP |
| 5 ≤ F ≤ 12% | Graduação e finos | GW-GM, GP-GC… | SW-SM, SP-SC… |
| F > 12% | Finos ML ou MH | GM | SM |
| F > 12% | Finos CL ou CH | GC | SC |
| F > 12% | Finos CL-ML | GC-GM | SC-SM |
Os finos são classificados pela carta de plasticidade, como um solo fino. Entre 5 e 12% de finos, o símbolo duplo junta a graduação e o tipo de finos; finos CL-ML contam como argila.
Solos finos e a carta de plasticidade
Com 50% ou mais passando na nº 200, o solo é fino e se classifica pelos limites de Atterberg na carta de plasticidade. A linha A separa as argilas (acima) dos siltes (abaixo), e o LL = 50 separa baixa (L) e alta (H) compressibilidade.
- CL: LL < 50, IP > 7 e sobre ou acima da linha A
- CL-ML: LL < 50, 4 ≤ IP ≤ 7 e sobre ou acima da linha A
- ML: LL < 50, IP < 4 ou abaixo da linha A; também os solos NP
- CH: LL ≥ 50, sobre ou acima da linha A
- MH: LL ≥ 50, abaixo da linha A
- OL e OH: solos orgânicos, com LL após secagem em estufa menor que 75% do LL natural
A linha U é o limite superior empírico dos solos conhecidos; um ponto acima dela sugere erro nos ensaios.
Nome do grupo
A ASTM D2487 completa o símbolo com um nome que descreve as outras frações. Num solo fino, de 15 a 29% de material grosso acrescenta "com areia" ou "com pedregulho", conforme o que predomina; com 30% ou mais, o solo é "arenoso" ou "pedregulhoso", e a outra fração entra como "com…" se chegar a 15%. Num solo grosso, a outra fração grossa é citada a partir de 15%.
No Brasil, L e H costumam ser lidos como baixa e alta compressibilidade; os nomes desta página seguem esse uso.
Limitações
- Os limites são comparados com os valores como informados; arredondamentos podem mudar o grupo de um solo na fronteira.
- Foi desenvolvido para solos de clima temperado e não reflete bem o comportamento de solos tropicais lateríticos; para eles, usa-se a classificação MCT.
- Turfas e solos altamente orgânicos (Pt) são identificados visualmente e ficam fora desta página.
Referências
- ASTM. D2487: Standard Practice for Classification of Soils for Engineering Purposes (Unified Soil Classification System). West Conshohocken, 2017.
- Casagrande, A. Classification and identification of soils. Transactions of the ASCE, v. 113, p. 901–930, 1948.
- ABNT. NBR 6459: Solo — Determinação do limite de liquidez. Rio de Janeiro, 2016.
- ABNT. NBR 7180: Solo — Determinação do limite de plasticidade. Rio de Janeiro, 2016.
- Pinto, C. S. Curso Básico de Mecânica dos Solos. 3ª ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2006.