Teoria: Estabilidade de Taludes
Como o método das fatias encontra o fator de segurança de um talude numa superfície de ruptura circular, como diferem os métodos de Fellenius e de Bishop, e como se busca o círculo crítico.
Fator de segurança
Um talude rompe quando o solo ao longo de alguma superfície de deslizamento já não suporta o cisalhamento que o peso acima dela impõe. O fator de segurança é a razão entre a resistência ao cisalhamento disponível na superfície e o cisalhamento necessário ao equilíbrio; o fator do talude é o menor entre todas as superfícies, obtido na crítica.
Método das fatias
Para uma superfície circular, a massa que desliza é dividida em fatias verticais. Tomando momentos em relação ao centro do círculo, o peso de cada fatia provoca a rotação por W sen α, sendo α a inclinação da sua base, e a resistência ao cisalhamento ao longo da base se opõe a ela. As forças entre fatias tornam o problema hiperestático, e cada método adota uma hipótese sobre elas.
Fellenius
O método ordinário (Fellenius, 1936) desconsidera as forças entre fatias, de modo que a força normal em cada base é apenas o peso decomposto na normal a ela, menos o empuxo da água.
Não exige iteração, mas fica a favor da segurança, muitas vezes por 5–20%, e mais em círculos profundos com poropressão alta.
Método simplificado de Bishop
Bishop (1955) considerou horizontais as forças entre fatias e decompôs as forças de cada fatia na vertical. O FS passa então a aparecer nos dois lados da equação e é obtido por iteração.
Os resultados ficam próximos aos dos métodos rigorosos em superfícies circulares. Onde mα fica pequeno — bases íngremes perto do pé com FS baixo — o método é pouco confiável; valores abaixo de 0,2 são um sinal de alerta (Whitman e Bailey, 1967). Para φ′ = 0, os dois métodos dão o mesmo resultado.
Poropressão
O círculo crítico
- Testam-se centros numa malha acima do talude e, em torno de cada um, círculos de várias profundidades, tangentes a níveis a partir da camada resistente.
- O menor FS de cada centro, em curvas de nível, mostra onde fica o centro crítico; uma malha mais fina em torno do melhor o refina.
- Uma camada resistente limita a profundidade dos círculos. Em argila mole (φ′ = 0), o círculo crítico vai tão fundo quanto permitido.
Referências
- Fellenius, W. Calculation of the stability of earth dams. Transactions of the 2nd Congress on Large Dams, Washington, v. 4, p. 445–462, 1936.
- Bishop, A. W. The use of the slip circle in the stability analysis of slopes. Géotechnique, v. 5, n. 1, p. 7–17, 1955.
- Bishop, A. W.; Morgenstern, N. Stability coefficients for earth slopes. Géotechnique, v. 10, n. 4, p. 129–150, 1960.
- Whitman, R. V.; Bailey, W. A. Use of computers for slope stability analysis. Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division, ASCE, v. 93, n. SM4, p. 475–498, 1967.
- Das, B. M.; Sobhan, K. Principles of Geotechnical Engineering. 9th ed. Boston: Cengage, 2018.