Teoria: Adensamento
Como o ensaio oedométrico mede a compressibilidade do solo, como se acham a tensão de pré-adensamento e os índices de compressão e como as leituras com o tempo dão o coeficiente de adensamento.
O ensaio
Um corpo de prova indeformado é confinado num anel rígido, entre pedras porosas no topo e na base, e carregado verticalmente em estágios, em geral dobrando a tensão a cada um. Em cada estágio, a altura é lida no extensômetro ao longo do tempo, por cerca de 24 horas ou até o fim do adensamento primário; depois o corpo de prova pode ser descarregado, também em estágios.
Como não há deformação lateral, a variação de altura é toda variação de volume dos vazios. A altura dos sólidos fica fixa e dá o índice de vazios em cada altura:
Compressibilidade
No gráfico e–log σ′, o trecho de compressão virgem é quase reto, com inclinação dada pelo índice de compressão; antes dele, na recompressão, e no descarregamento, a curva é muito mais plana.
Tensão de pré-adensamento
A tensão de pré-adensamento, σ′p, é a maior tensão efetiva que o solo já suportou; marca a passagem da recompressão para a compressão virgem. Com a tensão efetiva de campo, dá a razão de pré-adensamento, OCR = σ′p / σ′v0.
- Casagrande (1936): no ponto de maior curvatura traçam-se uma horizontal e a tangente à curva; a bissetriz do ângulo entre elas encontra o prolongamento da reta virgem em σ′p.
- Pacheco Silva (1970): prolonga-se a reta virgem até a horizontal de e0; dali desce-se uma vertical até a curva e, do ponto na curva, uma horizontal até a reta virgem. A abscissa desse encontro é σ′p.
A construção de Pacheco Silva não depende das escalas do gráfico nem de achar a maior curvatura, por isso é a mais usada no Brasil. A amolgadura da amostra arredonda a curva e reduz σ′p pelos dois métodos.
Coeficiente de adensamento
Pela teoria de Terzaghi, a porcentagem média de adensamento de um estágio depende só do fator tempo. Ajustando a curva teórica às leituras, acha-se o tempo de um grau de adensamento e, dele, cv:
- Casagrande (log t): o início corrigido d0 sai da parábola inicial, somando à leitura em t a diferença entre ela e a leitura em 4t; o fim do primário, d100, no encontro da tangente no trecho mais inclinado com a reta da compressão secundária. Com t50 na leitura média, cv = 0,197 Hd2 / t50.
- Taylor (√t): uma reta pelas primeiras leituras dá d0; outra, com abscissas 15% maiores, corta a curva em t90. Então cv = 0,848 Hd2 / t90.
Limitações
- As construções são automáticas e dependem da densidade das leituras; confira no gráfico se as retas estão nos trechos certos e ajuste os pontos da reta virgem ou a curvatura máxima, se preciso.
- A teoria de Terzaghi não inclui a compressão secundária, que se sobrepõe ao fim do primário em argilas orgânicas e moles.
- O cv de laboratório costuma subestimar o de campo, onde drenagens por lentes de areia e fluxo horizontal aceleram o adensamento.
Referências
- ABNT NBR 16853. Solo — Ensaio de adensamento unidimensional. Rio de Janeiro: ABNT, 2020.
- ASTM D2435/D2435M. Standard Test Methods for One-Dimensional Consolidation Properties of Soils Using Incremental Loading. West Conshohocken: ASTM International.
- Casagrande, A. The determination of the pre-consolidation load and its practical significance. In: International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, 1., 1936, Cambridge. Proceedings, v. 3, p. 60–64.
- Pacheco Silva, F. Uma nova construção gráfica para determinação da pressão de pré-adensamento de uma amostra de solo. In: Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações, 4., 1970, Rio de Janeiro. Anais, v. 2, t. 1, p. 225–232.
- Taylor, D. W. Fundamentals of Soil Mechanics. New York: Wiley, 1948.
- Pinto, C. S. Curso Básico de Mecânica dos Solos. 3ª ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2006.