Teoria: Capacidade de Carga
De onde vem a equação de capacidade de carga, no que Terzaghi, Meyerhof e Vesić diferem e como a forma e a profundidade da sapata, a inclinação e a excentricidade da carga e o nível d'água entram nela.
Ruptura por capacidade de carga
Com o aumento da carga sobre uma sapata, o solo sob ela rompe por cisalhamento ao longo de uma superfície que parte das bordas da sapata, desce e volta à superfície. Na ruptura generalizada, típica de areias compactas e argilas rijas, a superfície é bem definida e o terreno se levanta ao lado da sapata. Em solos fofos ou moles, a ruptura é localizada ou por puncionamento, com grandes recalques antes de um pico claro.
Prandtl (1921) descreveu o mecanismo para uma sapata corrida: uma cunha ativa empurrada para baixo sob a sapata, um leque radial limitado por uma espiral logarítmica e uma cunha passiva de Rankine empurrada para cima de cada lado. A capacidade de carga é a pressão que leva esse mecanismo à ruptura.
A equação de Terzaghi
Terzaghi (1943) dividiu a capacidade de carga última em três parcelas — a coesão do solo, a sobrecarga ao lado da sapata (tratada como q = γDf, sem contar a resistência do solo acima da base) e o peso do solo na zona de ruptura —, cada uma com um fator que depende só de φ′.
Para a ruptura localizada, Terzaghi sugeriu a mesma equação com c′ e tg φ′ reduzidos a dois terços.
Meyerhof e a equação geral
Meyerhof (1963) adotou o Nc e o Nq de Prandtl e Reissner, com a cunha de sapata rugosa a 45° + φ′/2, e acrescentou fatores para a forma da sapata, a sua profundidade (contando a resistência do solo acima da base) e a inclinação da carga.
| Meyerhof (1963) | Vesić / equação geral | |
|---|---|---|
| Nγ | (Nq − 1) tg(1,4φ′) | 2(Nq + 1) tg φ′ |
| sc | 1 + 0,2Kp B/L | 1 + (Nq/Nc)(B/L) |
| sq | 1 + 0,1Kp B/L | 1 + (B/L) tg φ′ |
| sγ | 1 + 0,1Kp B/L | 1 − 0,4 B/L |
| dc | 1 + 0,2√Kp Df/B | 1 + 0,4 Df/B |
| dq | 1 + 0,1√Kp Df/B | 1 + 2 tg φ′(1 − sen φ′)2 Df/B |
| dγ | 1 + 0,1√Kp Df/B | 1 |
| ic = iq | (1 − β/90°)2 | (1 − β/90°)2 |
| iγ | (1 − β/φ′)2 | (1 − β/φ′)2 |
Kp = tg2(45° + φ′/2). Os sq, sγ, dq e dγ de Meyerhof valem a partir de φ′ = 10°; abaixo disso são tomados iguais a 1. Na equação geral, os fatores de profundidade de Hansen trocam Df/B por arctg(Df/B) (em radianos) quando Df > B. O Nc e o Nq dos dois são iguais; eles diferem no Nγ, maior em Vesić, e nos fatores.
Nível d'água
- Acima da base (Dw ≤ Df): q = γDw + γ′(Df − Dw), e o termo de γ usa o peso submerso γ′ = γsat − γw.
- Até B abaixo da base (Df < Dw ≤ Df + B): q = γDf, e o termo de γ usa γ̄ = γ′ + (d/B)(γ − γ′), com d = Dw − Df.
- Abaixo de Df + B: o nível d'água não afeta a capacidade de carga.
Cargas excêntricas
Uma carga a uma excentricidade e do centro é tratada, segundo Meyerhof (1953), como centrada numa sapata efetiva de largura B′ = B − 2e. O termo de γ e os fatores de forma usam B′, e a carga que a sapata suporta é qu vezes a área efetiva A′ = B′L.
Capacidade de carga admissível
O valor admissível também precisa manter os recalques dentro de limites, o que costuma governar em sapatas largas e em argilas moles.
Referências
- Terzaghi, K. Theoretical Soil Mechanics. Nova York: Wiley, 1943.
- Meyerhof, G. G. Some recent research on the bearing capacity of foundations. Canadian Geotechnical Journal, v. 1, n. 1, p. 16–26, 1963.
- Vesić, A. S. Analysis of ultimate loads of shallow foundations. Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division, ASCE, v. 99, n. SM1, p. 45–73, 1973.
- Hansen, J. B. A revised and extended formula for bearing capacity. Danish Geotechnical Institute, Bulletin 28, 1970.
- Kumbhojkar, A. S. Numerical evaluation of Terzaghi's Nγ. Journal of Geotechnical Engineering, ASCE, v. 119, n. 3, p. 598–607, 1993.
- Das, B. M.; Sobhan, K. Principles of Geotechnical Engineering. 9th ed. Boston: Cengage, 2018.
- Cintra, J. C. A.; Aoki, N.; Albiero, J. H. Fundações Diretas: Projeto Geotécnico. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.