Teoria: Classificação Textural
O que é a textura do solo, como as frações são medidas e como o triângulo textural atribui uma classe a cada amostra.
Textura do solo
A textura é a proporção relativa, em massa, das frações areia, silte e argila na terra fina — a parte do solo com partículas menores que 2 mm. Cascalho, calhaus e matéria orgânica ficam de fora: as três frações somam sempre 100%.
É uma das propriedades mais estáveis do solo, pois não muda com o manejo, e por isso é usada para prever o seu comportamento hidráulico e mecânico.
Escalas granulométricas
Os limites entre as frações dependem da escala adotada. A ciência do solo (SBCS, Embrapa e USDA) usa 0,05 mm entre areia e silte; a escala geotécnica brasileira usa 0,06 mm, e a classificação unificada (USCS) separa os finos na peneira nº 200.
| Fração | SBCS / USDA | ABNT NBR 6502 | ASTM D2487 (USCS) |
|---|---|---|---|
| Areia | 0,05–2 mm | 0,06–2 mm | 0,075–4,75 mm |
| Silte | 0,002–0,05 mm | 0,002–0,06 mm | < 0,075 mm (finos) |
| Argila | < 0,002 mm | < 0,002 mm | < 0,075 mm (finos) |
Este app usa a escala da SBCS. Resultados de laboratórios geotécnicos devem ser convertidos para ela antes de serem classificados; na USCS, silte e argila são distinguidos pela plasticidade, e não pelo tamanho.
Como as frações são medidas
Na análise granulométrica, a amostra é dispersa quimicamente (hidróxido de sódio ou hexametafosfato) e mecanicamente. A areia é separada por peneiramento; silte e argila, finos demais para peneiras, são separados por sedimentação, pelo método da pipeta ou do densímetro.
A sedimentação se baseia na lei de Stokes: uma esfera em queda num fluido viscoso atinge uma velocidade terminal proporcional ao quadrado do seu diâmetro.
A 20 °C, um grão de 0,05 mm desce 10 cm em menos de um minuto, enquanto uma partícula de 0,002 mm leva cerca de 8 horas. Amostrando a suspensão a uma profundidade e um tempo conhecidos, obtém-se a massa de partículas menores que cada diâmetro.
Leitura do triângulo textural
O triângulo é um diagrama ternário: cada lado é a escala de uma fração, de 0 a 100%, e cada vértice representa um solo feito só daquela fração. Como areia + silte + argila = 100%, dois valores bastam para fixar o ponto; o terceiro é sempre o complemento.
Cada fração é lida ao longo das linhas da grade paralelas ao lado oposto ao seu vértice. O ponto onde as três linhas se encontram cai numa das regiões, e essa região é a classe textural da amostra.
As fronteiras entre as classes são desigualdades lineares sobre as frações. Por exemplo:
- Areia: silte + 1,5 × argila < 15%
- Franca: argila de 7 a 27%, silte de 28 a 50% e areia até 52%
- Argila: argila de 40 a 60%, areia até 45% e silte abaixo de 40%
- Muito argilosa: argila acima de 60%
A classificação da SBCS segue o triângulo do USDA, com uma diferença: divide a classe argila em 60%, criando a classe muito argilosa, comum nos Latossolos brasileiros. São 13 classes, contra as 12 do USDA.
Soma diferente de 100%
Os resultados de laboratório raramente somam exatamente 100%, por perdas na análise ou arredondamento. O app reescala as três frações proporcionalmente para 100% antes de classificar; somas fora de 100 ± 0,5% são sinalizadas para que você confira os dados.
Importância e limitações
A textura controla a área superficial das partículas e o tamanho dos poros e, com isso, grande parte do comportamento do solo:
- Retenção de água e condutividade hidráulica — veja o app de curva de retenção
- Plasticidade, coesão e compressibilidade
- Suscetibilidade à erosão e à compactação
- Capacidade de troca catiônica e retenção de nutrientes e contaminantes
A textura não descreve, porém, a mineralogia da argila, a estrutura, a matéria orgânica nem o cascalho. Dois solos da mesma classe podem se comportar de forma bem diferente; para fins geotécnicos, use uma classificação que inclua os limites de Atterberg, como a USCS.
Referências
- Santos, R. D. et al. Manual de Descrição e Coleta de Solo no Campo. 7ª ed. Viçosa: SBCS, 2015.
- Teixeira, P. C. et al. (eds.). Manual de Métodos de Análise de Solo. 3ª ed. Brasília: Embrapa, 2017.
- Soil Science Division Staff. Soil Survey Manual. USDA Handbook 18. Washington: USDA, 2017.
- Gee, G. W.; Or, D. Particle-size analysis. In: Methods of Soil Analysis, Part 4. Madison: SSSA, 2002.
- ABNT. NBR 6502: Rochas e solos — Terminologia. Rio de Janeiro, 1995.