Teoria: Granulometria
Como a NBR 7181 determina a distribuição do tamanho dos grãos por peneiramento e sedimentação, e como ler a curva granulométrica.
Análise granulométrica
A análise granulométrica determina a proporção, em massa, de grãos de cada tamanho no solo. O resultado é a curva granulométrica: a porcentagem que passa (mais fina que cada diâmetro) contra o diâmetro, numa escala logarítmica, já que os tamanhos vão de centímetros a micrômetros.
Pela NBR 7181, a amostra preparada conforme a NBR 6457 é passada na peneira de 2,0 mm. O material retido é lavado e peneirado (peneiramento grosso). Do material que passa, uma amostra parcial segue para a sedimentação, se houver finos a caracterizar, e em seguida é lavada na peneira de 0,075 mm e peneirada (peneiramento fino).
Peneiramento
A massa seca total combina o material retido em 2,0 mm, já seco, com o que passou, corrigido pela umidade higroscópica:
| Etapa | Peneiras (mm) |
|---|---|
| Grosso | 50 · 38 · 25 · 19 · 9,5 · 4,8 · 2,0 |
| Fino | 1,2 · 0,6 · 0,42 · 0,25 · 0,15 · 0,075 |
Sedimentação
Grãos menores que 0,075 mm são finos demais para peneiras. A amostra parcial é dispersa com hexametafosfato de sódio, completada a 1000 cm³ com água e deixada em repouso numa proveta. Pela lei de Stokes, cada grão cai com velocidade constante, proporcional ao quadrado do seu diâmetro: no instante t, à profundidade a, só restam grãos menores que
O densímetro mede a densidade da suspensão no centro do seu bulbo; a altura de queda a vem da sua calibração, para a leitura corrigida do menisco. A massa de grãos ainda em suspensão dá a porcentagem que passa:
As leituras são feitas a 30 s, 1, 2, 4, 8, 15 e 30 min, 1, 2, 4, 8 e 24 h, anotando a temperatura de cada uma. Viscosidade e massa específica da água são calculadas para essa temperatura.
Frações granulométricas
A NBR 6502 divide os solos nas frações abaixo. A porcentagem de cada uma é a diferença entre as porcentagens que passam nos seus limites, lidas na curva por interpolação em escala logarítmica.
| Fração | Diâmetro (mm) |
|---|---|
| Pedregulho | 2,0–60 |
| Areia grossa | 0,6–2,0 |
| Areia média | 0,2–0,6 |
| Areia fina | 0,06–0,2 |
| Silte | 0,002–0,06 |
| Argila | < 0,002 |
Sem sedimentação, a curva termina em 0,075 mm: silte e argila não podem ser separados. A areia fina é contada até essa peneira, e o que passa nela forma a fração silte + argila.
Coeficientes da curva
Os diâmetros D10, D30 e D60, abaixo dos quais estão 10, 30 e 60% da massa, resumem a forma da curva. D10 é o diâmetro efetivo, ligado à permeabilidade (Hazen).
- Cu < 5: muito uniforme · 5 a 15: uniformidade média · Cu > 15: desuniforme
- Bem graduado: 1 ≤ Cc ≤ 3, com Cu ≥ 4 nos pedregulhos e Cu ≥ 6 nas areias; caso contrário, mal graduado
Um solo bem graduado tem grãos de todos os tamanhos, que preenchem os vazios uns dos outros, resultando em maior compacidade e resistência. Um Cc fora da faixa indica falta ou excesso de algum tamanho (curva em degrau).
Limitações
- A lei de Stokes supõe grãos esféricos e isolados; as argilas são lamelares, e os diâmetros da sedimentação são equivalentes, não reais.
- Em solos tropicais, agregados que não se desfazem na dispersão aparecem como grãos maiores; ensaios com e sem defloculante mostram o efeito.
- O app usa uma única leitura Ld no meio dispersor e uma calibração linear do densímetro; para maior rigor, use os valores da calibração do seu equipamento.
- A granulometria sozinha não classifica o solo para fins geotécnicos: combine-a com os limites de Atterberg (SUCS ou HRB).
Referências
- ABNT. NBR 7181: Solo — Análise granulométrica. Rio de Janeiro, 2016.
- ABNT. NBR 6457: Amostras de solo — Preparação para ensaios de compactação e ensaios de caracterização. Rio de Janeiro, 2016.
- ABNT. NBR 6502: Rochas e solos — Terminologia. Rio de Janeiro, 1995.
- Pinto, C. S. Curso Básico de Mecânica dos Solos. 3ª ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2006.
- Tanaka, M. et al. Recommended table for the density of water between 0 °C and 40 °C. Metrologia, 38(4), 301–309, 2001.