Teoria: Classificação AASHTO
Como a classificação AASHTO (HRB) agrupa os solos para uso em pavimentação, a partir da granulometria e da plasticidade, e o que o índice de grupo indica.
Classificação para subleitos
A classificação AASHTO nasceu do sistema do Highway Research Board (HRB) e é a mais usada em pavimentação; no Brasil, o DNIT a adota como classificação TRB. Ela ordena os solos pelo comportamento esperado como subleito de rodovias, dos melhores (A-1) aos piores (A-7).
Bastam a porcentagem que passa em três peneiras e os limites de Atterberg do material que passa na peneira nº 40: o limite de liquidez (LL) e o índice de plasticidade (IP = LL − LP).
Grupos
Os solos são granulares quando até 35% passam na peneira nº 200 (0,075 mm), e silte-argilosos acima disso. O grupo é o primeiro, da esquerda para a direita na tabela, cujos limites o solo atende; o A-3 vem antes do A-2 nessa ordem, embora não seja um solo melhor.
| Grupo | Nº 10 | Nº 40 | Nº 200 | LL | IP |
|---|---|---|---|---|---|
| A-1-a | ≤ 50 | ≤ 30 | ≤ 15 | — | ≤ 6 |
| A-1-b | — | ≤ 50 | ≤ 25 | — | ≤ 6 |
| A-3 | — | > 50 | ≤ 10 | — | NP |
| A-2-4 | — | — | ≤ 35 | ≤ 40 | ≤ 10 |
| A-2-5 | — | — | ≤ 35 | > 40 | ≤ 10 |
| A-2-6 | — | — | ≤ 35 | ≤ 40 | > 10 |
| A-2-7 | — | — | ≤ 35 | > 40 | > 10 |
| A-4 | — | — | > 35 | ≤ 40 | ≤ 10 |
| A-5 | — | — | > 35 | > 40 | ≤ 10 |
| A-6 | — | — | > 35 | ≤ 40 | > 10 |
| A-7-5 · A-7-6 | — | — | > 35 | > 40 | > 10 |
O A-7 se divide pela linha IP = LL − 30: abaixo dela, A-7-5, de IP moderado para o seu LL e sujeito a grandes variações de volume; acima, A-7-6, de IP alto.
- A-1: fragmentos de pedra, pedregulho e areia bem graduados, com pouco ligante
- A-3: areia fina sem finos plásticos, como areias de praia e de duna
- A-2: pedregulhos e areias com finos siltosos (A-2-4, A-2-5) ou argilosos (A-2-6, A-2-7)
- A-4 e A-5: solos siltosos; o A-5 é elástico, de LL alto
- A-6 e A-7: solos argilosos, com grandes variações de volume entre os estados seco e úmido
Gráfico de plasticidade
No plano LL × IP, as linhas LL = 40 e IP = 10 separam os grupos de finos 4, 5, 6 e 7, e a linha IP = LL − 30 divide o A-7. Os grupos A-2 seguem as mesmas regiões, para solos com até 35% de finos. Acima da linha IP = LL nenhum solo pode estar, já que o limite de plasticidade não é negativo.
Índice de grupo
O índice de grupo (IG) gradua o solo dentro do seu grupo: quanto maior, pior o subleito. É escrito entre parênteses após o grupo, como A-6 (12). Pelo DNIT:
Com cada termo limitado à sua faixa, o IG vai de 0 a 20 e é arredondado ao inteiro mais próximo. Os grupos A-1, A-3, A-2-4 e A-2-5 têm sempre IG = 0, e nos A-2-6 e A-2-7 só o termo do IP conta. A AASHTO M 145 atual usa a mesma fórmula sem limitar os termos, o que dá valores maiores que 20 em argilas muito plásticas.
Em solos NP, o IP é tomado como zero e o termo do LL, que não pode ser determinado, é desconsiderado.
Limitações
- A classificação usa os limites com o valor contínuo informado; os limites costumam ser relatados como inteiros, o que pode mudar o grupo de solos na fronteira.
- Foi desenvolvida para solos de clima temperado. Em solos tropicais lateríticos, ela tende a subestimar o comportamento: argilas lateríticas classificadas como A-7 podem ser ótimos subleitos. Para eles, use a classificação MCT.
- A classificação não considera a matéria orgânica; turfas e solos muito orgânicos ficam fora dela (grupo A-8 em algumas versões).
Referências
- DNIT. Manual de Pavimentação. 3ª ed. Publicação IPR-719. Rio de Janeiro, 2006.
- AASHTO. M 145: Classification of Soils and Soil-Aggregate Mixtures for Highway Construction Purposes. Washington, 2021.
- ABNT. NBR 6459: Solo — Determinação do limite de liquidez. Rio de Janeiro, 2016.
- ABNT. NBR 7180: Solo — Determinação do limite de plasticidade. Rio de Janeiro, 2016.
- Nogami, J. S.; Villibor, D. F. Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos. São Paulo: Villibor, 1995.